terça-feira, 22 de abril de 2008

Jerga Española

Para quem tem interesses na Língua Espanhola, interessante reportagem no Jornal El País, de Madrid.


Las diez palabras más utilizadas de la jerga española
SpinVox, el software que permite transformar conversaciones de voz en mensajes de texto, elabora un ranking de las palabras más utilizadas en español

DAVID CORRAL - Madrid - 22/04/2008

Fistro se ha empeñado en perdurar al paso del tiempo. Las palabras que caen en la jerga española tienen dos caminos: envejecer como la carcoma con aire rancio y vetusto o quedarse para siempre hasta ocupar un espacio en el diccionario de la Real Academia. Hay varios métodos para tomar el pulso al lenguaje de una sociedad que cada vez es más dependiente de la telefonía móvil, Internet u otros sucedáneos. Por lo que testear espiando el uso del móvil puede resultar al menos sintomático.
SpinVox es un software que permite transformar conversaciones de voz en mensajes de texto. La aplicación práctica que tiene este programa es sencilla, si alguien tiene el teléfono apagado o fuera de cobertura podrá recibir los mensajes de su buzón de voz en un SMS. En esa transformación de lo hablado a lo escrito siempre hay lagunas, y es que no se habla con la norma en la mano. La jerga hace que el sistema encuentre palabras que son tan cotidianas como desterradas del diccionario. Por ello SpinVox cuenta con un sistema que aprende nuevas palabras y las incorpora a su diccionario interno, en menos de dos años han transformado automáticamente unos 50 millones de mensajes en cuatro idiomas, entregados como SMS, correos electrónicos, blogs o posts de distintos espacios sociales. Una de las consecuencias de este método es que se puede hacer una valoración sobre cómo habla la sociedad. Uno de los ranking facilitados por la compañía ha sido las diez palabras más utilizadas de la jerga española.

1. Fistro: Introducida por el humorista Chiquito de la Calzada hace años, la palabra designa de forma despectiva a alguien. En todo caso, su utilización indica que la persona aún no ha renovado su lenguaje desde hace unos cuantos años. La moda pasó, pero a pesar de ello la gente la sigue utilizando en sus conversaciones habituales de tal manera que se ha colado en el ranking.

2. Piltrafilla: Un popular anuncio de atún la catapultó a la lengua popular y desde entonces ha sido adoptada para distinguir a las personas desaliñadas o que son un desastre. También se utiliza para expresar que el cansancio ha hecho demasiada mella.

3. Mal quedas: Es el caso de las personas que prometen en exceso y finalmente no cumplen ni una de sus palabras.

4. Canijo: Su origen proviene de canícula palabra latina que significa perrita, con ello se pretende designar a aquel que es débil, bajo o pequeño de estatura.

5. Quillo: La gracia andaluza se exporta al por mayor. La palabra proviene del apocope de chiquillo.

6. Picha: Otra de las expresiones andaluzas más célebres. Su significado no es otro que el de compadre o compañero.

7. Kinki: Es una palabra admitida por la Academia, su forma correcta a la hora de escribirla sería quinqui, y designa a aquellas personas que pertenecen a un grupo social marginado por su forma de vida.

8. Friqui: Persona extravagante. Para algunos: raro. Para otros, simplemente diferente al resto por determinadas y peculiares manías.

9. Petardo: La jerga ha otorgado un valor completamente diferente a su significado originario, de lo explosivo a lo aburrido.

10. Pasmarote: La última palabra que figura en la particular clasificación designa a aquellas personas embobadas o ensimismadas.



http://www.elpais.com/articulo/internet/palabras/utilizadas/jerga/espanola/elpeputec/20080422elpepunet_2/Tes

domingo, 20 de abril de 2008

Conhecendo São Paulo

Para mim, que não sou daqui e que sinto que nunca vou conseguir conhecer direito esta cidade, este tópico é até interessante. Resolvi compartilhá-lo...

Jornal O Estado de S.Paulo

Não passe reto por mim

Alguns segredos de 12 monumentos que não vão deixar você passar batido por eles quando estiver caminhando pela cidade

Juliana Araújo e Maria Lutterbach

Para transformar uma caminhada apressada e sem graça por São Paulo em um passeio mais interessante, o Guia reuniu histórias de 12 monumentos - alguns conhecidos, outro não - que estão espalhados pela cidade. Como o Davi de Michelangelo, que passa quase despercebido pela Rua Canuto Abreu, no Tatuapé. Mesmo sem o mármore de carrara da obra original, em Florença, a réplica merece ser notada, nem que seja pela história que traçou desde que chegou a São Paulo. No Largo do Paiçandu, são poucos os que relacionam a estátua da Mãe Preta (foto) à de Borba Gato, em Santo Amaro: ambas foram feitas por Júlio Guerra. Quem descansa na Praça das Guianas, no Jardim Europa, tampouco deve saber do passado do Monumento a Garcia Lorca e da escultura Ascensão, que sofreram com sérios atentados. Até junho, quando outras cinco obras já estiverem restauradas, como a de Giuseppe Verdi, no Vale do Anhangabaú, você já estará acostumado a não passar reto por elas. A reforma vai começar assim que sair o resultado da licitação que define as empresas que farão o trabalho. Outra licitação vai criar ainda uma equipe para a conservação e manutenção dos monumentos - hoje, quando são pichadas, as obras da cidade recebem uma pintura, o que não é nada adequado. A seguir, escolha as histórias que preferir e bom passeio.



Como uma deusa


A Diana do Parque da Luz (Pça. da Luz, s/nº, Centro, 3227-3545) estava mesmo muito saidinha para ser uma deusa da caça. Reparando bem na estátua, que fica em frente ao aquário do parque e compõe o grupo de esculturas ‘Lago de Diana’, a socióloga do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), Fátima Antunes, estranhou a pose da suposta deusa. “A Diana mitológica aparece sempre com uma túnica, arco-e-flecha e animais por perto, geralmente um veado.” Pesquisando sobre o assunto, Fátima descobriu que a estátua é, na verdade, uma réplica da escultura ‘Amaltéia e a Cabra de Júpiter’, encomenda da rainha Maria Antonieta para a leiteria que mantinha no Castelo de Rambouillet, antes da Revolução Francesa. Amaltéia é, ao mesmo tempo, uma ninfa e uma cabra que amamentou Zeus. A peça original fica no Museu do Louvre, em Paris. Naquela época, na França, era comum fazer réplicas de esculturas para difundir a arte. A estátua chegou ao Brasil entre 1911 e 1914, e o DPH já providencia nova placa para identificá-la.


No Tatuapé, sem a tanguinha


No meio de vários prédios do Tatuapé, o Davi de Michelangelo não deve chocar tanto quanto, em 1940, no Pacaembu, quando o então prefeito Prestes Maia fez questão de levar a réplica de uma das obras mais importantes do Renascimento ao recém-inaugurado estádio de futebol. A pesquisadora do DPH Fátima Antunes explica que Maia tinha o hábito de colocar esculturas em locais inaugurados por ele. Mas nem todos tinham o mesmo fascínio pela arte (principalmente por uma tão realista). “Na época de Getúlio Vargas, era costume realizar festas e comemorações no estádio, como no 1º de maio. Então, colocava-se uma tanguinha em Davi”, diz ela, que ouviu a história de um ex-funcionário do Pacaembu. Com a construção do tobogã do estádio, em 1969, a réplica foi levada da concha acústica para a Praça Charles Miller. Desde 1974, ela fica na Rua Canuto Abreu. Outras quatro réplicas de obras de Michelangelo - ‘O Dia’, ‘A Noite’, ‘O Crepúsculo’ e ‘A Aurora’ -, concebidas para adornar a sepultura da família Medici, em Florença, ficam entre as avenidas República do Líbano e Quarto Centenário.


O fim dos atentados


As duas esculturas que hoje vivem tranqüilamente na Praça das Guianas já passaram por maus momentos. Um ano depois que o Monumento a Frederico Garcia Lorca foi colocado ali, em 1969, uma explosão misteriosa destruiu a obra. O poeta foi acusado de comunista e assassinado durante a Guerra Civil Espanhola. Três décadas mais tarde, o nu feminino Ascensão (abaixo), moldado pela artista Charis Brandt, perto do monumento, foi alvo de um segundo ataque na praça. Mas, desta vez, o atentado não foi político. Seduzido pela mulher retratada em bronze, um morador de rua tentou subir na escultura, que caiu e quebrou na perna e no pé, em 2002. Ela ficou recolhida em um depósito da Prefeitura até 2006, quando foi adotada e restaurada. A outra obra da artista na cidade, chamada Mulher Nua, teve de ser retirada da Praça da República, na década de 80, porque foi “atacada várias vezes”, segundo Rafaela Calil, do setor de restauração do DPH. Não se sabe o paradeiro dela. Já o monumento a Lorca demorou mais para voltar à praça: apenas dez anos depois da explosão, atribuída ao Comando de Caça aos Comunistas, estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP a restauraram e, ainda na ditadura, a recolocaram ali.


O segredo do dedo


Na escadaria que leva ao Vale do Anhangabaú, a estátua que representa a ópera ‘O Condor’ é a única que não foi totalmente recuperada durante o restauro, em 2001, do Monumento a Carlos Gomes, de Luigi Brizzolara. O dedo do Condor, que é protagonista da ópera, não recebeu a pátina com o tom original. “Optamos por não fazer a pintura no dedo porque poderia apagar sua história”, explica a chefe do Departamento de Restauração do DPH, Rafaela Bernardes. O desgaste mantido confirma a superstição de que segurar no dedo do Condor traz sorte. “Não sabemos de onde surgiu essa história, mas a estátua convida a isto”, diz Rafaela. A obra representa o Condor agonizando depois de se apunhalar no peito por um amor que não pôde ter.


De mudança na madrugada


Os estudantes de Direito da Universidade de São Paulo (USP) já protagonizaram duas ações clandestinas, mas bem-intencionadas, para levar monumentos que estavam em outras partes da cidade para o Largo São Francisco, onde fica a faculdade. A empreitada mais recente, em maio de 2006, foi a transferência da estátua de Álvares de Azevedo da Praça da República para o largo. “O centro tinha um projeto para que fossem construídas estátuas dos seus três grandes poetas, Castro Alves, Fagundes Varela e Álvares de Azevedo, mas a única realmente produzida foi a de Azevedo, assinada pelo artista Amadeo Zani”, conta o presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, Paulo Henrique Pereira, que participou da ação de 2006. A má conservação da obra na Praça da República foi o motivo para os estudantes “seqüestrarem” o monumento com um caminhão de guindaste, em plena madrugada da Virada Cultural daquele ano. O curioso é que, apesar de levar o nome de Álvares de Azevedo, muita gente jura que a estátua é a cara do colega, o poeta Fagundes Varela.


O beijo roubado


O primeiro episódio de resgate de estátua pelos estudantes foi nos anos 60, quando o Centro Acadêmico XI de Agosto se mobilizou para tirar a obra O Beijo Eterno do Túnel Nove de Julho. Inspirada em um poema de Olavo Bilac, a estátua reproduz o enlace apaixonado (e nu) de um francês com uma índia. A obra do sueco William Zadig sempre foi tida como obscena e, por isso, repudiada nos vários lugares por onde passou. Primeiramente instalado no fim da Avenida Paulista, o monumento seguiu para Pinheiros e, depois, foi guardado num depósito até 1965. O casal chegou a fazer um rápido passeio pelo Cambuci, mas não foi bem-aceito e voltou para o escurinho do depósito. Só depois de retirados do Túnel Nove de Julho pelos alunos é que os jovens em bronze puderam, finalmente, se beijar em paz no Largo São Francisco.


Quase uma assombração


A Musa Impassível, que aparece no Cemitério do Araçá, não é uma assombração. A peça, colocada ali no fim do ano passado, é uma réplica em bronze, feita com o molde idêntico ao original. Criada pelo artista Victor Brecheret, em 1923, a obra adornava o túmulo da poeta parnasiana Francisca Júlia da Silva, morta em 1920. “A ‘Musa Impassível’ é feita de mármore e precisou ser retirada do cemitério porque estava sendo atacada por elementos químicos, como a poluição, que chamamos de câncer do ar”, lembra José de Souza Martins, professor aposentado de Sociologia na Universidade de São Paulo (USP). A criação de Brecheret foi levada para a Pinacoteca do Estado no fim de 2006 para ser restaurada e fazer parte do acervo.


Lágrimas em versos


Ao lado da estátua de uma jovem lânguida que se dobra para o sol está gravado o lamento da mãe inconformada com a morte da filha. Jovem musicista italiana de 25 anos, Luisa Marzorati, veio morar em São Paulo com o marido, no início dos anos 20, acompanhando os imigrantes italianos que chegaram à cidade. Da Itália, a mãe, uma poeta decadentista, enviou os versos que estão inscritos na placa que adorna o túmulo, nos fundos do Cemitério da Consolação: “Distante da carícia materna/ pendeste qual pálido jacinto/ e agora não dizes mais aos mortais/ as noturnas harmonias de Chopin./ Mas aquela música invisível/ ainda conserva e vive o amor/ que à vida te deu/ e a vida hoje te chama./ Tua mãe”.


Nada gato


A estátua Borba Gato sempre foi mais hostilizada do que admirada. A obra de Júlio Guerra chegou a ser pivô de uma irônica campanha lançada no ano passado: concorria como uma das sete maravilhas do mundo e tinha um vídeo no YouTube narrado pelo ator Paulo César Pereio. Em plena Avenida Santo Amaro, o monumento ao bandeirante tem 10m de altura e pesa 20t. Apesar de não ser um grande fã da estátua, o professor de Sociologia José de Souza Martins avalia que a obra está instalada em local impróprio. “Isto deixa mais evidente o quanto é desproporcional. O tamanho realça suas limitações estéticas.” Ele também lembra que Júlio Guerra é autor de outras obras bastante conhecidas, como a ‘Mãe Preta’, recordista de banhos entre os monumentos da cidade. Em frente ao Largo do Paiçandu, a peça costuma ser adornada com flores, oferendas e pichações, e precisa ser lavada pela equipe da Prefeitura com muita freqüência.


Ao melhor amigo


Quando Salomão apareceu na Praça Oscar da Silva, na Vila Guilherme, ele ainda era um vira-lata sarnento, sem nome e sem pêlos. Com pena do cão abandonado, o motorista autônomo Waldir de Carvalho cuidou dele e, depois de uma semana, o vira-lata já era o melhor amigo da vizinhança. “Só o Zé da barbearia ficou um pouco bravo quando ele engravidou sua pit bull, mas depois perdoou”, conta Valdir. “Ele tinha um carisma incrível.” Quando morreu atacado por um rottweiler, em 2004, os moradores construíram o Monumento ao Cão Salomão, sempre cercado de flores e com registro no DPH.


Do meu jeito


Desesperado com a tuberculose da namorada, o poeta Oswald de Andrade pediu a Victor Brecheret que a esculpisse para imortalizá-la. Mesmo sem nunca ter visto Daisy, o artista atendeu a vontade do poeta. “Quando papai ia fazer uma escultura, idealizava. Era um sonhador, um poeta da escultura”, conta a filha do artista, Sandra Brecheret. “Oswald entrou no ateliê e fez o pedido. Depois de pronta, Brecheret disse: ‘Veja como ficou a minha Daisy’.” O busto da moça pertence ao acervo do Palácio dos Bandeirantes (Av. Morumbi, 4.500, 2193-8282).


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